Prólogo

O Tatitataia! Ei-lo finalmente…

Trata-se de um Projeto que vem viajando na minha mente, seguramente,  há mais de uma década.

Graças ao Pedro, meu filho mais novo que fez, não só toda a montagem deste blog, quanto me chamou a capítulo, sobre esta promessa, que já tardava demasiado a ver o dia! Para além dessa carinhosa chamada de atenção, um outro acontecimento contribuíu para apressar o nascimento do Tatitataia: a recente passagem por Paris, do meu David, o qual não tinha tido o privilégio de ver por cerca de uma década, pois reside em Brasília, tendo o mesmo David, como que por um gesto de solidariedade para com o irmão, não se ter poupado em questionar a minha vontade em dar corpo ao Tatitataia.

Por todas essas razões, agravadas pelo facto de ter lido algures, uma frase do escritor e ensaísta português, Eugénio Lima, que dizia: “Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível”, ora, por vergonha ou por despeito, acabei por encontrar energias para,  definitivamente, vencer a preguiça, ou, preferívelmente,  quebrar a inércia do repouso, uma expressão que disfarça, com mais agrado, qualquer reprovação ao atrazo do  Tatitataia, que vos farei conhecer, aos poucos,  com imenso prazer e carinho. Aguardem pelo próximo degrau, pois eles serão muitos e com a firme intenção de vos ser, a todos,  acolhedores!

O que pretende este blog?

A finalidade primeira do Tatitataia é reavivar para reviver, acontecimentos ocorridos durante um período da vida do nosso tão querido e inesquecível Liceu Honório Barreto. Focarei o período em que pude guardar memória de acontecimentos em que fui testemunho, e em muitos dos quais também fui protagonista. Eu e alguns demais.

São situações que marcaram pelo cómico, pelo ridículo e até pelo inédito. Mas que constituíram FACTOS! Comportamentos próprios de jovens adolescentes, nem sempre conscientes das consequências desses mesmos comportamentos e atitudes. Enfim, situações hílares e hilariantes que vos trará – que nos trarão – momentos de intensa comunhão, solidária cumplicidade e transbordante SAUDADE…

Mencionado o inegualável, incomparável e ímpar Olilas, vejo-me e sinto-me na obrigação de enriquecer o Tatitataia, com  outras figuras de relêvo, cuja omissão valer-me-ia, seguramente, reparos de muitos dos colegas dessa época. Não posso portanto, furtar-me de mencionar os não menos saudosos, Armando Salvaterra, vulgo Vaínga,  Mussa Dabó, vulgo Cow-boy, o mais querido e popular vigilante, diria, funcionário polivalente do Liceu Honório Barreto. E ainda,  Lucínio de Jesus Henriques de Carvalho, meu colega da que foi considerada: “Tristemente célebre, 3° Ano B, 1958-59”!

Aproveito para informar que o crioulo (acompanhado de respectiva tradução em português), fará parte do relato de vários episódios. E isso, porque esses mesmos episódios perderiam considerávelmente a sua essência, senão a quasi-totalidade do seu sabor. Por essa razão de peso, o ingrediente crioulo é indispensável.

Igualmente,  e a pôr-vos de sobreaviso: Adjectivos como bardamerda, sacana de merda, e quejandos, mas vigorosos quejandos, são bem susceptíveis de figurar em alguns episódios, com o único propósito de assegurar a autenticidade e a intensidade desses momentos, para os quais não tenho a mais modesta das intenções de mascarar. Qualquer tentativa de escrever diferente, seria uma imperdoável forma de desvirtuar a realidade.

Se  Tatitataia esperou uma década, não veio para mentir, e tampouco está disposto a mentir! Os adolescentes de ontem, se fizeram adultos. E estou certo, que esses mesmos adultos só se rejuvenescerão, pela autenticidade do Tatitataia. E se esses mesmos adultos corarem, por um ou outro menos modesto impropério, então, Tatitataia poderá vangloriar-se de ter cumprido a missão pela qual tanto se fez esperar.

Preparem-se para os futuros episódios que, não sendo épicos, vos farão seguramente mais alegres, e porque não, mais felizes. Viva o meu, o vosso, o nosso: Tatitataia!

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25 thoughts on “Prólogo

    1. Abrir o baú para partilhar tesouros de memória, é enriquecer a todos, é assumir a continuidade dos ausentes, é fortalecer os descendentes: mil mantenhas para ti João.

      Que o TATITATAIA chegue a todas as gerações e a todos os tempos.

      Ernesto Dabo

  1. Saúdo com entusiasmo a criação deste espaço de saudade e esperança, trazido até nós pela mão desse intrépido companheiro que eh o nosso João Galvão.
    Deixo aqui a minha humilde e sentida homenagem a todos os que, já não estando entre nós, foram e serão obrigatoriamente evocados nestas paginas.
    Serei um leitor interessado e assíduo desta casa onde procuraremos reencontrar as nossas vidas e os que lhe deram sentido e, quiçá, rumo.
    Um forte abraço de felicitações para o meu querido amigo, João, por esta brilhante iniciativa!
    No na mati li tudo! (Aqui estaremos todos)

    Mário

    1. De posse e em presença deste Blog, não sei o que te dizer, meu irmão colaço. Vou, se calhar, dizer em primeiro lugar que nos contactos estabelecidos nestes ultimos anos pouca ou quase nula é a diferença existente entre o João Galvão d’agora e aquele jovem irrequieto, activo, gozão até dizer chega, dos tempos do LHB. Pertences a uma geração que com o Olilas, o Armandinho Salvaterra a coadjuvar as tuas incríveis manifestações de irreverência puseram em frangalhos o sossego de colegas, professores, continuos auxiliares, corpos docente e discente daquele honorável Liceu de Honório Barreto. Sempre deste mostras de inteligência, de acutilância nas tuas análises e de uma sempre renovada porfia em atingir os objectivos pretendidos. Desejo que este blog cumpra a sua função de registar e divulgar as memórias de um tempo que não esquece ao mesmo tempo homenageie aqueles de vós que partiram para a viagem sem retorno e perante os quais nos inclinámos numa saudosa reverência. Um grande abraço e a certeza de que estarei sempre ao dispôr. Tavares Moreira

    1. Caro João,
      O Olilas iniciou os estudos em Bissau, pela primeira vez no Museu e fomos colegas de turma no 1º ano, Ele (Olilas) tinha chegado de S.Vicente Cabo Verde, Na altura o professor de matemática era o Basso Marques. A alcunha Olilas resulta de um episódio ocorrido junto ao Museu durante um intervalo. Estavamos a caçar pardais, e ele estava a ajudar na caçada como localizador dos pobres bichos, Assim na sequencia da procura ele, todo excitado ia gritando OLIL. OLIL LISSIM ….
      Comigo estavam,para alem do n/ OLILAS, mais 2 companheiros que registaram a linguagem do n/ OLILAS e de imeditato surgiu a alcunha OLILAS e assim ficou. Espero ter contribuido de forma modesta para o teu Blogue e ca fico a espera de novos episodios. TONI ALMEIDA

      1. Caríssimo Tony, Obrigado pela oportuna achega. De facto o pseudónimo OLILAS advem da contracção de OLIL, OLIL…Quanto ao blog Tatitataia, faço e farei questão que não seja meu mas que seja ‘pertença’ de toda uma geração, e com palavras de carinho para todos quantos já nos deixaram, perante os quais nos inclinamos. Fica atento aos próximos episódios. O abraço amigo de sempre!

  2. Força mano João, também me encontro na plateia (ao lado dos meus sobrinhos) á espera dos próximos episódios. Será certamente um grande sucesso, pois tu, melhor que ninguém, contas e encantas com as tuas histórias, qualquer plateia!
    Géninha

  3. Parabéns João por esta grande iniciativa. Lembro-me quando estive de férias convosco, em França, há já muitos anos, já nessa altura contavas-nos muitas “passadas” da Guiné-Bissau e nós riamo-nos tanto e estavamos sempre a dizer-te que deverias escrever as tuas memórias não fosses esquecê-las mais tarde, não só pela piada que tinham mas pela forma tão “castiça” como as contavas. Enfim… tudo tem o seu dia e finalmente chegou o tão esperado “Tatitataia” que estou certa nos irá deliciar a todos com a sua leitura. Como todos os outros que já deixaram aqui a sua mensagem digo-te que já estou também na Plateia aguardando os próximos episódios. Muita força e felicidades nessa caminhada meu Amigo!
    Elsa Marques

  4. Eu só li “Tristemente célebre, 3° Ano B, 1958-59″ e estou a rir até agora. Não participei dessa turma de “loucos” (com todo o respeito e muito carinho). Nenhum de nós (meus irmãos e eu) participou. Mas garanto-vos que as memórias são tão vívidas graças ás horas que passamos a ouvir essa histórias todas!! Creio que sou capaz de contar algumas delas como se comigo tivessem acontecido!

    Mais! Mais! Queremos mais!

    1. Querido David, Ris-te sem que a procissão tenha abandonado o adro. Seguramente que te lembras de tudo quanto falamos a 12.09.2012, aquando do nosso almoço no ‘restô’ chinês do XIIIème. Pois prepara-te, preparem-se, porque “Vai boiar,…. e só vai boiar da boa”….Um xi do Papá

  5. caríssimo joão, as minhas felicitacões pela iniciativa que seguramente será um sucesso

    atento e ansioso pelos próximos episódios em particular o que logo seguirá pois sem nunca antes ter ouvido falar dele já me simpatizo com o Olilas

    uma boa caminhada a todos, MUITO ENTRETENIMENTO e que no fim do projecto estejamos todos de vida e saúde prontos para mais um

    sim amigo joão, viva o seu, o nosso ‘Tatitataia’
    que “Vai mesmo boiar …” não me resta qualquer dúvida

    muito grato e privilegiado por poder fazer parte
    agradecimentos especiais aos seus filhos pela contribuicão

    forca, saúde e um abracão

    1. Caro João,

      É contagiante o orgulho que tem na época das suas vivências da juventude “Part. I” – Sim, o João é um eterno jovem. Os seus relatos serão sempre lidos com maior ansiedade, pois conheço-o a muito pouco tempo e confesso ter alguma curiosidade saudável sobre a sua pessoa.

      É também de louvar este projecto, de pai e filhos, pelo facto de proporcionar mais uma aproximação neste mundo que é tão vasto – leia-se complexo e não necessariamente distância física.

      Comecei a ler este blogue pelo fim, esta a ser uma corrente de ar fresco no contexto actual, onde associamos tudo que se relacione a Guiné algo de mau e assombroso.

      Obrigado por me convidares a fazer parte desta capsula do tempo. Estamos na plateia como diz o @Pedro nos seus comentários.

      Abraço

  6. Caro João, adorei este Olilas. Bem elaborado o artigo com cenas bem divertidas e penso portadora de uma mensagem.
    Palavras de incentivo pela apresentação do projecto e sua continuação. Tatitataia proporcionou-me uma leitura emocionante e estonteante, fazendo-me devorar ávidamente cada palavra.
    Obrigado

  7. Eis-me aqui também, pela amizade, pelo carinho que lhe tenho como amigo e pela admiração como orador. Um SENHOR que faz uso hábilmente da sua inteligência! Foram poucas as vezes que terei ido a Paris que não tenha tido o prazer da sua companhia durante longas horas que passam como se de minutos se tratassem. Entre risos, taças de vinho, comida da terra e deliciosas prosas fui conhecendo melhor o João no seu “todo”. Um amigo que veio pelas mãos do casal amigo Edna e Adilson, descobri esta relíquia de ser humano que também é guineense com todos os predicados de que tanto a nossa Guiné-Bissau carece.
    Tatitataia será sem dúvidas um grande sucesso.
    Parabéns e um grande abraço

  8. Caro colega Galvão, meu muito obrigado por me teres dado possibilidade de contemplar e apreciar os teus belos escritos e teres inserido uma foto em que estou presente, do nosso velho tempo de “charruas” em Santarém.
    De Bissau, pouco conheço, mas com a clarividência dos contos, compartilho a leitura e vou revivendo África…. Bem haja. Aquele abraço do “charrua” – FIDJODISAMARTINHO. j.l.

  9. Fazendo grupo dos reformados Tony Almeida e Elsa Marques (Electra Cabo Verde), tambem estudante do LHB/LKW, finalista em 1977, vou ficando no geral apreciando aos poucos os sem numeros de passadas vivenciadas no nosso liceu. No nosso tempo se vivenciaram muitas picardias do pre e pos independência. Um bem haja.

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