‘Djoca Pliu’…

Tatitataianos!

O Tatitataia, como pretende o seu Prólogo, foi criado com a intenção de vos relatar acontecimentos ocorridos durante uma geração de alunos do Liceu Honório Barreto, nosso primeiro estabelecimento de ensino secundário da Guiné, hoje República da Guiné-Bissau.

Bem gostaria o Tatitataia de presentear-vos senão alegres acontecimentos…

Mas este Tatitataia não poderá, de forma alguma, furtar-se à indelével obrigação de vos anunciar, com imensa tristeza, o desaparecimento físico duma figura que mui difícilmente se apagará de nossas memórias: Joaquim António Ferreira, Jr, o nosso para sempre Querido Djoca Pliu, símbolo duma geração, deixou-nos ao fim da tarde de segunda-feira, 12.11.2012.

Não tendo frequentado o Liceu Honório Barreto, Djoca foi entretanto, fora das paredes dessa instituição de ensino, o colega de turma e de ano de TODOS quantos frequentaram esse Liceu.

Mais tarde, o nosso saudoso Djoca Pliu, que igualmente nunca deixou Bissau para encetar qualquer formação académica no estrangeiro, foi sempre e muito naturalmente aceite, e com manifesto orgulho de todos nós, como o colega engenheiro, médico, advogado, e outros mais títulos, de todos quantos regressaram ao País depois de formados em Portugal e noutros países. Breve, o seu grau académico equiparava-se ao de qualquer um de nós! Sempre se sentiu Querido e acarinhado por todos os mencionados quadros profissionais, quanto pelo resto da sociedade civil. Todos conheceram o nosso saudoso Djoca Pliu.

Joaquim António Ferreira, Jr,  Djoca Pliu é um património da juventude de outrora e um exemplo para as gerações vindouras.

Na Pastelaria Império não longe da Praça do Império, hoje Praça dos Heróis Nacionais, onde se realizavam as nossas habituais mesas redondas, o brilhantismo do nosso Djoca Pliu e dum Óscar Medina, vulgo Ocório, este ainda presente entre nós, não mais se apagará da nossa memória.

Onde quer que estivesse e qual fosse o momento, Djoca teve sempre uma estória ou um reparo pleno de humor a partilhar. Sempre dispôs dum trunfo para cada caso, para cada um de nós no estilo: Abó anda bú lembra, Bô lembra flánú

Pessoalmente me lembro da sua máxima nacionalista: “Nhâ primú abó i africanú ‘daqui”.  Associando ao ‘daqui’, e para dar à palavra o seu verdadeiro significado e conteúdo pretendido, pegava com os dedos a ponta da sua orelha, querendo com o gesto dizer: És um bom africano. Já os ventos anunciavam Independência

É com enorme emoção que redijo um episódio diferente no Tatitataia. Episódio que não poderia naturalmente estar programado.

O Tatitataia curva-se perante a grandeza e o exemplo de Djoca Pliu, de nome Joaquim António Ferreira, Jr.

Que a terra lhe seja leve. Paz à sua alma. Repousa em Paz, Querido Djoca!

Anúncios

12 thoughts on “‘Djoca Pliu’…

  1. Caro Galvão,
    O nosso mais velho dos tempos de sabura da Guiné, de Bissau a todos os rincões da Guiné por onde passaste como Regente Agrícola. Que Deus te deixe por mais tempo entre nós. Pois, precisamos sempre ser atualizados com passadas dos tempos em que eramos meninos de tchacual furado na “ontinhi” de tanto arrastar no carinho de rolemã ou no chão jogando “bilas”. Conheci Djoca, ele era mesmo da forma como narraste a vida dele. Gostava de contar passadas. Todos eram colegas dele, de rapazinhos aos mais velhos da idade dele. Não só ficava na pastelaria Império como no salão da UDIB. Ainda lembro-me bem que em 1994, quando fui passar férias na Guiné viajando do Brasil para Bissau o encontrei na UDIB com vários conhecidos, entre eles, o falecido Rufino José Mendes, meu colega de Bolama. Foi uma alegria termos nos encontrado. Conheci o irmão mais novo dele, também falecido, Silvério Ferreira, professor primário. Este morava em Bafatá.
    Firkidjas de Bissau na caba nan sim dê. Pa Deus djudanos i cerca és mufunessa qui na rondano tera. Um abraço Galvão.

    1. Olá João.
      Conheci o Djoca através do Honório, que mo apresentou como amigo e colega. Desconhecia quase tudo na vida dele, pensando sempre que efectivamente tinha estudado convosco. Algo de muito especial ele teria, para merecer tanto carinho e amizade de toda uma geração que não acompanhou académica ou intelectualmente, mas acompanhou do que de melhor se pode ter do ser humano. Respeito, amizade e carinho.

  2. GRANDE “DJOCA PLIU”. Ainda este ano em Agosto quando estive em Bissau, juntos tivemos certos momentos de conversa amigável, que como sempre pautaram-se de “passadas” às vezes com um certo “pitéu malicioso” à sua maneira de “Tchikini Kombersa”, nos sempre que foram os nossos agradáveis encontros casuais pelas Ruas de Bissau. Desta “ultima vez”, (e foi mesmo…), eu senti-me sinceramente muito preocupado pelo estado debilitado de saúde e comportamento que ele transmitia e se encontrava. Mas, nunca pensei que estes fossem os últimos encontros e de despedida de um GRANDE AMIGO DE CORAÇÃO. REPOUSA NA PAZ DE DEUS MEU QUERIDO E SAUDOSO AMIGO “DJOCA”.

  3. Foi uma bonita homengem póstuma que fizeste a um amigo que partiu para uma viagem sem regresso, mas que continua presente no nosso espírito.
    Gostei do que escreveste.
    Teu primo
    EG

  4. Lamento profundamente o desaparecimento físico do Djoca. Não fazemos a mais pequena ideia do quanto os amigos representam para nós até ao momento em que a morte nos separa.
    Noto que estão a desaparecer, paulatinamente, as pedras basilares do nosso edifício. Mas temos de aceitar o cruel determinismo da Natureza e, para o nosso equilíbrio psicológico, acreditar que existe uma outra dimensão onde nos encontraremos quando completarmos a nossa curta passagem por esta Terra tão bela mas tão mal amada.

  5. Fico sentido com o desaparecimento de pessoas que me habituei a admirar na adolescência, eu que cresci na Praça do Império… Lembro-me bem da vossa tertúlia !!! Que o Djoca descanse em Paz. Um abraço João

  6. É verdade que nem só os bancos da escola, são o garante de uma formação, sobretudo no que se refere ao conhecimento e forma de estar em sociedade. Disso era a prova viva das vivências do DJOCA. Descansa em paz, amigo do seu amigo…

  7. Linda e justa homenagem ao Djoca!
    Um ser humano intemporal, amigo do seu amigo, com quem tive a oportunidade de privar em Bissau.
    Posso dizer até k aprendi muito com ele. Dava bons conselhos a sua maneira, e fazia rir quando menos se esperava.
    E caso para dizer: Quem não conheceu o Djoca, não conheceu a Guiné!
    Paz á sua alma!

    ..

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s