Lucínio…

Lucínio Jesus Henriques de Carvalho filho de um sargento de carreira, residiu no Quartel d’Amura, entre 1957-1962. Chegou a Bissau findo o ano lectivo 1956-57 vindo de algum liceu da Metrópole, expressão que diferenciava o Portugal continental das então províncias ultramarinas. Entretanto, este mundo e arredores sabe hoje que Portugal não dispõe de províncias ultramarinas depois da chamada Revolução dos Cravos de Abril, 1974….

Mas deixemos as revoluções, os cravos, as províncias, a metrópole e debrucemo-nos sobre o que foi o saudoso Lucínio durante a sua passagem por Bissau e não só…

Escrever sobre Lucínio transporta-me a um passado de algumas décadas, passado esse que me está ainda bem colado à pele. Esse amigo física e definitivamente ausente foi, aliás, é e será para sempre merecedor do meu afecto. Ainda oiço os ecos das suas desastrosas e intragáveis declinações, qual delas a mais estrangeira ao clássico: rosa, rosae, rosarum. Pois esse estudante, perdão, esse aluno servia-se dessas declinações vindas de um latim marginal até dizer chega, escrupulosamente suburbano, e de paternidade duvidosa, com o qual procurava dar alguma notoriedade a nomes de colegas, de coisas, situações ou mesmo objectos. Vejamos uns poucos exemplos, a começar pelo que ele Lucínio decidiu atribuir-me como nome: pimú Talpucinhas, que terão oportunidade de voltar a ver mencionado.

Com tão pouco é compreensível que reclamem alguma explicação suplementar. Tudo começa pelo meu apelido Galvão que se faz acompanhar de um carinhoso primo, que lhe confere um pouco de ternura e proximidade. De primo Galvão e passando por primo Galvãozinho, acaba por  atingir a maioridade, vejam bem…, num terno: pimú Talpucinhas. Lucínio também tinha outros primos de igual género literário, a exemplo do primo Tinfas que passando por pimú Tinfas e depois por pimú Tinforúm acabou por atingir a maioridade num não menos carinhoso: pimú Forinhas…

Pois esse jovem matriculado com o n° 19, veio enriquecer considerávelmente o plantel dos que frequentaram a que ficou (re)conhecida como a tristemente célebre do então Liceu Honório Barreto! Pois essa ‘tristemente célebre’ é a já sobejamente mencionada por Tatitataia em episódios anteriores: a turma B do 3° ano do lectivo de 1958-59, cujo elenco contava não só com a minha modestíssima pessoa como a de muitos mais estudantes, prefiro dizer alunos, de notável e reconhecida qualidade. Justiça seja feita...

Ora esse colectivo que primava por uma marcada diversidade étnico-social, contabilizava umas  três dezenas de muito boa gente. Quanto a isso que não restem dúvidas…

Não sendo esse aluno do extinto Liceu Honório Barreto um conhecido da grande maioria dos leitores deste espaço, seria seguramente uma injustiça não falar um pouco de quem deixou tão gratas recordações em todos quantos com ele conviveram. E é de ser salientado de Lucínio, a sua humildade sem maquilhagem, a sua simplicidade e a enorme capacidade de adaptação, atributos que muito contribuiram para uma mais fácil integração no seio da comunidade estudantil. Em pouco tempo dominou o crioulo com um nível bastante aceitável de compreensão e de resposta…

As passadas, as estórias em que Lucínio foi protagonista serão relatadas sem a garantia de uma ordem cronológica. Tatitataia irá relatando à medida que as tropelias e traquinices do saudoso Lucínio, me venham à memória…

Começarei pela actividade recreativa do kim ke ka máma i sinta que em português não está muito longe do: quem não pode, arreia. Esse passatempo reconhecidamente fora dos padrões de qualquer outra actividade ou competição desportiva… tinha lugar no pátio ladrilhado (mosaico/azulejo laranja avermelhado…) do chamado Liceu de baixo e no espaço de acesso às casas de banho. Quando digo fora dos padrões, devo sublinhar que se tratava de uma competição sem score, portanto sem vitória traduzida em golos…

Em poucas palavras, esse absurdo passatempo resumia-se na capacidade de cada participante entre os inúmeros envolvidos nessa espécie de peleja, poder preservar por mais tempo possível a posse do objecto em disputa que era lançado ao solo. Esse objecto que tanto podia ser uma bola convencional, seja de ténis, de borracha ou mesmo de meia, quanto podia ser também ser um pedaço de madeira seca, uma semente seca de mango por exemplo. Enfim tudo quando fosse susceptível de deslisar no solo desse pátio…

Lucínio enquanto filho de militar dispunha de um bom par de botas o que muito naturalmente impunha um certo respeito aos concorrentes ou adversários, como entenderem chamar, munidos de sapato vulgar, sapatilhas ou sandálias em plástico. No fundo essa estranha diversão que se distinguia mais pela brutalidade que pela virilidade, baseava-se na capacidade de intimidação de cada interveniente e na coragem em absorver as investidas dos participantes na contenda. Resumidamente, uma actividade que se ajustava bem ao kim ke ka máma i sinta o mesmo que dizer: quem não pode arreia…

Finda essa espécie de batalha campal ou guerra sin dunú, como queiram considerar, valia pena ver o semblante do nosso Lucínio depois dessa estranha forma, muito estranha mesmo, de queimar calorias. Seu rosto assemelhava-se a um tomate, tão vermelho ficava. Bem poucos, se algum(?!…), conseguiam conter risos e gargalhadas por ver o nosso colega nesse estado.

E uma vez alvo de atenções da parte dos colegas, o nosso Lucínio de calções em caqui, curtos e ajustadíssimos às ancas, punha-se a desfilar armado em modelo. Estou escrevendo e não consigo evitar  alguns sorrisos ao me lembrar dessa e de muitas outras cenas idênticas… Ninguém resistia! Impossível de todo….

Devo dizer que não tendo absolutamente nada de efeminado, reconhecia-se em Lucínio um par de pernas bem modeladas e sem traço de músculos. Diga-se de passagem: um par de pernas de fazer inveja a muitas miúdas. E quanto ao desfile, posso garantir-vos que lhe sobrava talento para esse género de coisas. Aliás, Lucínio era um actor de mãos cheias…

Era um regalo vê-lo desfilar imitando o sexo feminino num exagerado bambolear de ancas e dizer: digam-me se não sou mais sexy que a Malina? Mas isso dito em bom creoulo: bó kontam se n’ka máss Malina stâ boa?! A saber que o pseudónimo Malina faz alusão a uma menina-rapaz do nosso Liceu, e cujo verdadeiro nome é obviamente omitido….

Mas voltando ao desfilar… quanto mais gargalhadas ele ouvisse, mais hilariante se tornava com afirmações ou exclamações do género: pimú Talpucinhas, má se n’pátiu bu ka ta toma?! Enfim, um nunca mais acabar de asneiras, qual delas a maior.

Com toda a sinceridade: saudoso Lucínio!

Tatitataia tem-vos contado umas não poucas e quase sempre embaraçosas situações em que me vi envolvido ao longo da minha presença enquanto estudante, bem mais justo e honesto reconhecer…, enquanto aluno do então Liceu Honório Barreto. Uma vez que Lucínio constitui o tema de hoje, Tatitataia serve-se da circunstância para vos contar mais uma dessas situações e na qual o homenageado de hoje acabou por ser a figura proeminente. Mas oiçam o que me aconteceu numa tarde de um sábado de céu azul e radiante de sol,  a caminho do liceu para assistir ao curso de comandantes de castelo da Mocidade  Portuguesa….

Aos catorze anitos e em plena crise de adolescência fui vitíma de um dos efeitos mais demolidores para qualquer jovem: o de Cupidon. Ora esse efeito atribuído a Cupido, Deus do Amor na mitologia romana, filho de Vénus e de Marte, traduz-se pelo despertar das inclinações  amorosas. É o período dos suspiros, das emoções sem contornos definidos, de uma permanente sensação de insegurança ou ansiedade, das desagradáveis taquicardias ou arritmias próprias de um jovem apaixonado, dos suores injustificados, da garganta seca e das palavras que não saem quando suportamos os efeitos dessa paixoneta possessiva e por vezes tirana. Bom, quando em presença da miúda, aí então…, até os berlindes se contraem e, e, e, quando não fazem yoyo… Não, não, ei.. oiçam e oiçam bem: quem por elas não passou, que se abstenha de qualquer comentário. Sinceramente, o que acabo de descrever É MESMO DOSEEEE… Bú ká pudi pânha pé de bu kabéça. Kaba góra i ka kussa ke bu púdi néga bu fâla: bom i djustam, n’ka misti másss!  E é precisamente esse o busílis e a monstruosidade desse problema: a nossa incapacidade para nos libertarmos das garras de Cupido … Mas deixemos isso. Enfim, um misto de agradáveis e desagradáveis sensações que se manifestam em simultâneo sem que o jovem compreenda o que lhe está acontecendo. Sentimo-nos como que anestesiados por esse sentimento que nos corrói a alma e faz de nossas vidas, um inferno…

Pois foi com algum garbo, trajando a preceito a farda da MP e carregando com notável estoicismo o peso dessa amálgama de sentimentos que resolvi nesse sábado de sol brilhante fazer paragem numa casa com quintal murado por tijolos alternados que facilitavam espreitadelas no interior. Um pormenor incontornável: essa era a casa onde morava a jovem que era a exclusiva responsável pelas minhas atribulações emocionais do momento…

O meu login, ou seja  o passe que me conectava àquela que punha a minha ração de  pacíficas testosteronas num estado clinicamente deplorável, era a canção Campanera celebrizada pelo famoso Joselito. Andando ligeiro como um felino e já no passeio contíguo ao citado muro apercebi-me de que alguém estava regando o jardim. E esse ruído de água batendo no chão e nas plantas acabou por encorajar-me o suficiente para que assobiasse a Campanera sem inibições e a todo o gaz. Confiante lá fui assobiando à medida que me ia aproximando para espreitar quem estava regando. Ora essa aproximação agravada pela espreitadela, foi-me fatal.

E em circunstância alguma poderia deixar de me ser fatal porque quem estava regando esse jardim…, em NADA, mas absolutamente NADA, se assemelhava ao objecto dos meus suspiros amorosos e de todos os sentimentos já expressos. Quem efectivamente estava regando esse jardim nesse preciso momento era um pai. Sim um pai e não um pai qualquer. Era um pai que, pela reacção…, de há muito não vinha digerindo com agrado, ambos: esse Joselito, e muito menos seu login em assobios. E foi esse pai que se serviu da mangueira para me dar uma copiosa regadela no momento em que deixei de assobiar para, no intervalo dos tijolos, pronunciar docemente o nome da filha. Não vos será difícil imaginar a minha figura a partir desse momento….

E depois desse desastre, começo obviamente a arquitectar justificações para as aulas do curso de comandantes de castelo a terem início a menos de uma hora, sabendo ser um sábado com ‘passagem em revista’. Mais um bico de obra para o Galvas…

Encharcado como estava armei-me num GI americano, tudo fazendo para não ser visto ou no melhor, não ser de todo  identificado até chegar ao novo pavilhão de ginástica onde o curso era leccionado. E lá consegui chegar rasando paredes, como é costume dizer-se… Muito sorrateiramente aproximei-me da entrada de uma pequena sala que servia de arrecadação e simultaneamente de apoio aos instrutores do curso. Um quanto estressado ao entrar nesse exíguo compartimento, qual o meu espanto quando me dou de caras com o meu amigo Lucínio o comandante de castelo de serviço nessa tarde. Vendo-me nesse estado bem pouco apresentável, quis imediatamente saber o que me acontecera. Pois não precisou de muito ouvir para ficar minuciosamente inteirado…

Findo o relato é um Lucínio estremecendo de riso que sabendo haver algures umas peças de farda da MP, acaba por descobrir num dos armários da arrecadação uma camisa e um calção. Pegando na camisa e no calção, fui num relâmpago à casa de banho trocar de roupa. Porém,  embora mais apresentável, seguramente que não restaram dúvidas para ninguém, por mais distraída fosse a pessoa, que tanto a camisa quanto o calção que me colavam ao corpo, não podiam ser propriedade do chefe de quina João Galvão Borges, o conhecido Galvas!

Devo reconhecer que depois de tantos dissabores, esse sábado acabou por ter um final feliz contrariando todas as minhas perspectivas. O meu amigo Lucínio, para tirar seu Pimú Talpucinhas de apuros…, teve a amabilidade de transmitir tudo quanto aqui ficou relatado ao instrutor do dia, o Alferes Vigário um oficial mais loiro que um sueco, o qual não me poupando um aberto e jocoso sorriso encontrou maneira de me dispensar da ‘revista’ sem despertar muitas atenções.

Mas Lucínio foi bem mais isso…

A par das mencionadas ‘declinações’ todas elas desafiando as mais elementares regras gramaticais, Lucínio também se mostrava creativo ao familializar-nos a um novo léxico. E como exemplo citaremos a palavra caneca que não precisou nem de tempo nem de muito explicar para ser aceite sem reservas….

Caneca correspondia, obviamente em linguagem não oficial, a uma nota que não sendo transcendente era amplamente desejada, sobretudo por alunos pouco regulares: falamos de alunos vivendo em corda bamba, em permanente incerteza quanto ao sucesso do ano escolar em curso. Eram uns não poucos, habituados a conter respiração até ao veredicto anunciado pelas pautas afixadas no átrio do liceu no fim do ano lectivo.

Mas essas pautas não metiam medo a todo o mundo. Bem longe disso… Os imunizados contra o insucesso escolar até se permitiam entre sorrisos, risos e gargalhadas, perguntar aos colegas que rondavam as pautas para se inteirarem do resultado final: homi, bú safa ó bú pânha bála suma mi?! Traduzindo: oh pá, passaste ou chumbaste?! Como tenho dito: nesse liceu, nem todo o aluno foi estudante…

Mas voltando à palavra ‘caneca’ que se tornou moeda corrente, devo dizer que bem poucos dela sabiam servir-se correctamente. Todo o mundo sabia o que essa palavra significava, mas só Lucínio que deu vida à palavra, sabia como e quando dela fazer uso conferindo-lhe a graça e a ênfase necessárias para que ela pudesse cumprir a sua verdadeira função: a de transformá-la num evento, num momento a partilhar com o maior número possível de colegas.

Quando um aluno dizia ter conseguido uma ‘caneca’ numa chamada…dizia-o com um largo sorriso . Conseguir  uma caneca como nota era motivo para enorme regosijo. Correu-te bem a chamada? Ohhh pá…uma caneca ‘rés-vés Campo de Ourique’, uma expressão muito corrente (consultem o web…) que quer dizer algo conseguido ‘mesmo à justa’ o que no contexto de notas representa efectivamente  uma positiva tangente. Para os conhecedores: um dez tirado a fórceps….

Mas quando Lucínio enchia a sua ‘caneca’, ficava óbvio que esse evento de modo algum poderia morrer anónimo. Jamais! Teria forçosamente que ter algum impacto. Até não era estranho ouvir durante o intervalo seguinte um ou outro aluno de uma turma diferente querendo saber o que se passou na turma do Lucínio. Má ké ke passa na bó turma?! Enfim, ‘caneca’ enchida por Lucínio era obrigatóriamente caneca seguida de algum alarido. Ponto final e mudemos de assunto! E já agora, permitam-me que vos conte…

E vamos a isso!

Esse hilariante pedaço com Lucínio chamando uma vez mais as atenções, aconteceu na aula da senhora Fernanda Barroso, professora de matemática e irmã de Francisca Barroso professora de história. As duas irmãs constituíam o tandem: nha Chica ku nha Fernanda.

Por serem soleiras e andarem quase sempre coladas uma na outra, a assembleia anónima dos corredores decretou que quem casasse com a Francisca, a mais idosa, teria, ao abrigo do direito consuetudinário guineense, ‘direito’ à D. Fernanda a irmã mais nova. Portanto, por conta desse decreto, D. Fernanda a irmã mais nova acabou merecendo a alcunha de “nha labarrémo”. A saber que essa alcunha em crioulo significa gorjeta. Gorjetas e gorjeta…

D. Fernanda chama Lucínio ao quadro para submetê-lo a um interrogatório findo o qual uma nota lhe seria atribuída. Terão decorridos os habituais quinze a vinte minutos normalmeente consignados a esse tipo de avaliação findos os quais Lucínio entrega o caderno da disciplina para que a professora escrevesse o resultado da avaliação, a nota. A sempre misteriosa nota. E começa aqui o inimaginável.

O nosso amigo toma conhecimento da nota através de um furtivo olhar e num ápice vemo-lo vermelho como um tomate proferindo tudo quanto havia de mais inintelígivel por conta da nota caneca que seguramente alcançara visto o espalhafato com que estava premiando a assistência. Olhando para mim e de regresso à sua carteira foi dizendo ininterruptamente: ai pimú Talpucinhas, ai caneca, ai canequinhas, ai i djustam rek, ai nha papé, ai Talpucinhas, ai Forinhas, tudo em ais, num autêntico refrão de chorrilhos. A professora lá ia reagindo sem entretanto perceber uma única palavra pronunciada por Lucínio. Limitava-se perguntar: mas o que foi Lucínio?, que se passa contigo? Contar é uma coisa mas ver tudo isso é algo para ficar na memória para o resto da vida. Estou a vê-lo como se a cena tivesse ocorrido esta manhã…

A última vez que estive com Lucínio data de 1964 ou 1965. estava eu em Santarém quando Lucínio me convidou a participar na sua festa de finalistas em Coimbra. Essa festa teve lugar num fim-de-semana. Teria que escrever o dobro do que aqui já foi dito para vos contar em pormenor o que foi esse fim de semana agradabilíssimo entre amigos que se conheciam de há muito e bastante bem. Fui recebido em casa dele durante a minha estada em Coimbra e a noite antecedendo o meu regresso a Santarém foi uma noite em branco pelo tanto que havia a nos dizermos. Mas não posso findar este texto dedicado a Lucínio sem vos contar como Lucínio me recebeu na estação de combóio de Coimbra A.

Quando cheguei a Coimbra B vindo de Santarem apanhei poucos minutos depois um pequeno comboio de poucas carruagens que fazia o transbordo dos passageiros entre as duas estações conimbrecences. A maneira como fui recebido por Lucínio na zona de desembarque da estação A de Coimbra é algo que não mais esquecerei.

Lucínio conseguiu alhear-se de tudo quanto o rodeava para se concentrar na minha pessoa. Logo que desci do trem Lucínio começou a gritar em bons decibéis vindo aos pulos em minha direcção e repetindo: pimú Talpucinhas, ai pimú Talpucinhas, ai pimú Talpucinhas, não escondendo obviamente uma indesmentida e indesmentível comoção. Ficamos ambos com os olhos marejados. E fez todo esse ‘cinema’ da forma perfeitamente assumida e totalmente descomplexada. Como disse no ínicio: de uma humildade sem maquilhagem…

Estava também presente nessa gare mas por motivos bem diferentes uma ex-colega do liceu Honório Barreto em Bissau que prosseguia os estudos universitários em Coimbra e que  assistindo o que acabo de vos relatar aproximou-se para nos cumprimentar e dizer o seguinte: pensei que os anos vos fariam melhorar mas acabo de constatar que esses anitos adicionais não vos fizeram mudar. Vocês estão cada vez mais garotos….

Muito ficou por dizer desse amigo, dessa saudosa figura.

Sejam pacientes! Tatitataia promete voltar….

 

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4 thoughts on “Lucínio…

  1. Consegui finalmente abrir a partir de Bissau.
    Mais outras histórias deliciosas que, entrelaçadas, escritas com alma e ritmo, numa prosa única e estimulante, fazem visualizar o meio envolvente, as personagens e os seus sentimentos. Muito obrigada Tonton Galvas.

  2. Meu caro João,

    Cada vez me intrigam mais estes humores da net. De facto, julgava eu que um comentário que fiz há dois dias teria sido publicado e verifico, com alguma desilusão, que o mesmo ter-se-á perdido nas profundezas deste espaço virtual onde agora nos encontramos.
    Em primeiro lugar, a propósito de mais um excelente episódio das tuas inesgotáveis memórias, felicito-te por esta estória recordando o Lucínio, escrita com elegância e muito humor, como aliás é tua divisa. Em segundo lugar, gostaria de agradecer a tua capacidade de conseguires trazer, desse filão inesgotável que é a tua memória, recordações dum tempo em que a vida se alimentava de coisas mais simples, em que nos era possível sonhar e perseguir sonhos. . .
    Em todos estes deliciosos episódios, com que enches este teu magnífico blog, há sempre o nosso incontornável Galvas que vive, interpreta e faz-nos reviver as situações como se não tivesse passado meio século. Com uma escrita viva, bem ritmada, irreverente, transparecendo a tua natureza inquieta e insatisfeita, tu és o grande depositário da memória colectiva duma geração que começa a perder alguns dos seus melhores intérpretes, mas que contigo consegue (re)viver, com gosto e inevitável saudade, um tempo em que a felicidade morava ao nosso lado, num abraço, num sorriso, numa partida. . .
    Contigo, meu caro, as velas ardem até ao fim.

    Abraço

  3. CARO JOÃO GALVÃO BORGES – Excelente!!!
    Reconhecemos sensibilidade literária ímpar no nosso ilustre irmão e mais velho, que mais uma vez nos brindou com as suas tintas, aqui temos mais uma história de encantar, poisou com orelhas de elefante, nesta memória ainda maior do que o tempo, conta histórias de encantar, sem dúvida, a cultura Guineense passa por aqui…. Pára e LÊ, é lindo!
    .
    Djarama mais velho João Galvão Borges… Abração. Pina.

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